Colégio Militar Tiradentes II
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RESULTADO DA TRILHA DA CULTURA - OUTUBRO DE 2021

RUTH LINDA DO VALE SANTOS, DO 6°ANO "C"

PROFESSORA ORIENTADORA: ANA KAROLINA

 

                                             

                                                 PROFESSORA IZAURA SILVA

 

Biografia

Na manhã do dia 26 de abril de 1950, o sol despertava serenamente de seu sono habitual. Era o nascimento de Ilmar Maria de Oliveira Silva, em São Luís Gonzaga, no Maranhão. Nesse momento, a criança que brevemente se tornaria protagonista de um movimento libertador ascendia, e encaminhava o seu futuro papel extraordinário na luta pela conquista de direitos de todas as pessoas, em específicos os negros, raça que ainda hoje sofre com heranças aprisionadoras do período de escravidão. O tempo passou e hoje pode-se ver que Maria Silva torna-se uma grande inspiração para o avanço da nação.

 

Independência: um Pilar Fundamental.

O dia 7 de setembro de 1822 é considerado o marco da independência do Brasil, sendo destacado nos livros didáticos, no calendário brasileiro e até em produções audiovisuais. Felizmente, a data realmente corresponde ao desenvolvimento dos ideais de caráter separatista no Brasil. As distorções, no entanto, residem no cenário histórico da independência que é desvinculado das discussões em função dos estigmas associados à essa data. Assim, a independência foi um processo, isto é, não deve ser reduzida à um único acontecimento. Ela é caracterizada por conflitos, violências e interesses de naturezas e locais diversos. É errôneo relembrar o processo de Independência e ser indiferente às individualidades do Brasil, quando, desde 1822, os únicos realmente independentes era a aristocracia rural brasileira, que comandava grande parte do território nacional. Eventualmente, esse fato se estendeu durante os séculos e pode ser identificado ainda, contemporaneamente, por meio das desigualdades sociais e de uma “liberdade” na mão de outra aristocracia, que agora não é mais rural, e sim branca e capitalista. Nesse sentido, ser independente é uma relação que interpenetra diversos significados, desde a sensação de liberdade de todos os povos, até a garantia de direitos e de deveres assegurados pela Constituição. Nesse panorama, o principal pilar da professora – independência – aponta para o questionamento sobre que independência existe atualmente, em um país onde parte da população morre à espera de atendimento médico em hospitais públicos. Torna-se instigante o fato de que, no período de domínio lusitano sobre o país, a maior parte da população não possuía condições mínimas de trabalho, sendo explorada continuamente. Não obstante, enquanto muitos perderam a vida para que o país se tornasse independente de Portugal, o contexto, ainda presente hoje, faz-se perdurar heranças aprisionadoras, como o racismo, a misoginia e a intolerância religiosa. A luta de Izaura Silva se volta para a questão de que, mesmo em meio ao século XXI, brasileiros ainda fantasiam a emancipação como um processo reto e pacífico, realizado exclusivamente por personagens gravados em quadros famosos, desconsiderando a luta de diversos povos, como os indígenas e negros, na luta por liberdade. Izaura torna-se um exemplo na busca pelo reconhecimento de cada brasileiro, inclusive os excluídos, na busca pela verdadeira independência.

Visibilidade aos Excluídos da História

Izaura Silva colaborou com a formação de centenas de jovens maranhenses, inclusive imperatrizenses, tanto na educação básica como no ensino superior, sendo detentora da mais nobre das profissões: aquela que forma todos os outros profissionais. Assim como Nelson Mandela narra em uma de suas falas, “a educação é a arma mais poderosa capaz de mudar o mundo”. Nesse sentido, ao possibilitar a construção crítica dos estudantes, a professora de história Izaura contribui para que mazelas presentes na sociedade sejam extinguidas. Formada em pedagogia pela UFMA, suas observações em discursos proclamados sempre apontam para o que acontece no momento no Brasil: é a quebra e o não cumprimento, pelo Estado, dos acordos que a sociedade produziu. O Estado brasileiro não as assumiu como deveria. Pelo contrário, ao não assumir, o governo deixa o racismo agir livremente, e são vistos diversos resultado. Ou seja, várias estatísticas mostram que não apenas as políticas não se desenvolveram como deveriam, mas houve um retrocesso no sentido de abrir caminho para a piora da situação. Alguns indicadores, como os de homicídios, mostram a piora do quadro tanto para negros quanto para negras. Para que esse quadro fosse alvo do início de uma mudança, Izaura Silva em sua busca pela conquista de direitos iguais dos negros e indígenas, tornou-se uma fundadoras do Centro de Cultura Negra Negro Cosme, que é uma instituição da Sociedade Civil, sem fins lucrativos, fundado em 27 de março de 2002, como resultado de um movimento iniciado nos anos de 1990, com a chegada de alguns/as professores/as negros/as, trabalhando na educação da rede pública, municipal, estadual e universidades e cidadãs/os comuns, vindos de outros municípios, que começaram a se organizar, promovendo ações e ampliando os horizontes da cidade, abrindo caminhos para a inclusão dos negros na sociedade imperatrizense. Assim, o Centro de Cultura Negra Negro Cosme de Imperatriz, se institui como uma instituição representativa dos/as negros/as sendo precursor na busca pela igualdade racial e valorização da cultura negra. A criação do Centro é justificada diante da necessidade do movimento afirmar-se como entidade, além do desejo que os militantes sentiam de obter uma instituição jurídica na sociedade que os representassem enquanto etnia e para ter respaldo de combater o racismo, o preconceito e a discriminação em nossa sociedade. Ao longo de sua existência, o Centro de Cultura Negra, preocupou-se em dar apoio aos profissionais da educação da Região Tocantina através de formações, palestras, seminários, oficinas e desenvolvimento de propostas pedagógicas que contemplaram e trouxeram no seu âmago a contribuição do negro na formação da sociedade. Além de ter membro efetivo no Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial do Maranhão-CEIRMA, apoia as Instituições de Ensino Superior na criação de seus núcleos afrobrasileiros e Indígenas, e esteve presente em todos os Congressos brasileiro de Pesquisadores Negros e Negras e demais discussões que envolvem a temática afro-brasileira. Com o passar do tempo, e com o crescimento da procura de professores, escolas e empresas, por palestras e apoio pedagógico para trabalhar a temática afro, o Centro ficou sobrecarregado de atividades, e sem condições de atender a todas as necessidades. A criação da Lei Federal Nº 10.639/03 fortaleceu a entidade e deu apoio a criação de uma Coordenação de Educação da Igualdade Racial de Imperatriz – CEIRI, em outubro de 2007, através do projeto encaminhado para apreciação e aprovação dos secretários de governo do estado que louvaram a iniciativa de Imperatriz em criar um órgão para a inclusão da temática Afro-brasileira e Africana no currículo escolar. A mesma faz parte da Secretaria Estadual de Educação (SEDUC) e da Unidade Regional de Educação de Imperatriz – URE. É bom ressaltar que a CEIRI visa à implementação da Lei Nº 10.639/03 (Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana) nas escolas da rede estadual de ensino, tanto de Imperatriz, quanto dos municípios da Unidade Regional de Educação de Imperatriz, com ações educativas de combate ao racismo e a discriminação, e apoio técnico pedagógico docente: Orientação a pesquisa, aos projetos, realizações de eventos públicos e formação continuada. A comunidade, alvo das atividades do Centro de Cultura Negra-Negro Cosme, participa com frequência dos eventos promovidos pela entidade, entre esses se destacam o Festival de Música Negra, Festival de Interpretação de Poesias, Contos e Crônicas – FESTIAFRO, e o Concurso de Desenhos Afro, que tem como vitrine o Salão do Livro de Imperatriz – SALIMP, para a votação que resulta na escolha do melhor desenho, produzido por alunos das redes municipal e estadual de ensino assessoradas pela CEIRI, como o desenho da Aluna Karem Stefany, do Colégio Militar Tiradentes, que foi premiada em 2019. O Centro também esteve presente em duas edições do Colóquio Internacional Memórias, Diversidades e Identidades Culturais, organizado pelo Grupo de Pesquisa Memórias, Diversidades e Identidades Culturais como colaborador ativo nas atividades. Desde sua fundação esteve presente nos diversos espaços escolares da sociedade combatendo o racismo, o preconceito e a discriminação nas instituições públicas e privadas do ensino básico e nas universidades, faculdades e institutos de ensino superior, assim como no comércio, nos logradouros, nos shopping, em salões do livro e também nas rodas de conversas com amigos/as.

Encomenda de Frei Manoel Procópio

A professora Izaura Silva foi homenageada pela Prefeitura Municipal de Imperatriz, com a Comenda Frei Manoel Procópio. A solenidade ocorreu na noite de sexta-feira, 13 de julho de 2018 no Palácio do Comércio, onde a referida Comenda foi outorgada a sete personalidades do município. Ao receber a comenda, Izaura Silva fez um discurso muito aplaudido, em que destacou: “quero dividir esse prêmio com todos os trabalhadores e trabalhadoras do país, em especial, com os professores, uma classe sofrida e muitas vezes massacrada pelos governantes”. No seu pronunciamento, a militante negra fez questão de ressaltar a situação de exclusão da população negra e a existência do racismo, conclamando a todos e todas a combatê-lo com veemência. Destacou ainda a exclusão social da mulher, sobretudo da mulher negra, enfatizando que entre as sete pessoas contempladas com a Comenda Frei Manoel Procópio ela era a única mulher. A fala politizada em defesa das camadas sociais oprimidas recebeu calorosos aplausos do público presente, o que significa que se sentiu representado por esta mulher negra, militante social e educadora. Atualmente, ela continua lutando em prol da sociedade. Época De Mudança Cada vez que a independência é relembrada e comemorada, novas facetas dela surgem, colocando em ênfase grupos que antes eram considerados irrelevantes e desconstruindo a imagem de que na história existem heróis que foram totalmente responsáveis pelos eventos históricos. Ainda hoje, existem vários grupos que estão travando as suas “guerras de independência”: os afrodescendentes lutam por melhores condições de vida e contra o preconceito racial, as mulheres lutam contra o machismo e os estereótipos e os indígenas resistem contra a destruição da sua cultura e pelo reconhecimento de seus espaços. Assim, cada vez que se comemora a independência, não é um fato marcante apenas a emancipação do Brasil: muito mais além, a independência é a luta do povo brasileiro, uma contribuição para a formação da identidade nacional e para a construção de uma sociedade mais justa, solidária e socioeconomicamente participativa. Que Izaura Silva seja sempre lembrada como uma personagem importante na luta pela independência individual de todos os povos. Felicidade é ser livre, independência é liberdade!

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