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RESULTADO DA TRILHA DA CULTURA MAIO - 2021

BIOGRAFIA: ANNA JUSTINA FERREIRA NERY. ]

ALUNO: ADRIELLY ALVES DA SILVA.

SÉRIE: 6º A. PROFª: MARIA NEUCIRLETE LIMA SOUZA.

 

BIOGRAFIA

 

Uma das muitas heroínas brasileiras. A primeira mulher a entrar para o Livro dos Heróis e das Heroínas da Pátria, depositado no Panteão da Liberdade e da Democracia, em Brasília (DF) e denominada pelo Exército Brasileiro como “mãe dos brasileiros”, Anna Justina Ferreira Nery, tornou-se a pioneira da enfermagem no Brasil.

Vida e Família

Nascida em 13 de dezembro de 1814, na Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto de Cachoeira, município situado às margens do rio Paraguaçu, no estado da Bahia. Foi batizada no dia 25 de março de 1815, na Igreja da Matriz, como o nome de Ana Justina Ferreira, pelo Padre Carlos Melequiades do Nascimento.

Localizada ao lado da Igreja da Matriz, no centro de Cachoeira, em uma rua principal, a sua casa foi construída conforme o estilo de sua época. Em tamanho razoavelmente grande comparada às da vizinhança, a casa tinha dois andares. O que na época indicava um nível social elevado.

Ana Neri, assim também conhecida, era de uma família de “patriotas legítimos”: José Ferreira de Sousa e Luiza Maria das Virgens. Irmã de quatro homens, dois tenentes-coronéis do exército, um médico e um conceituado corretor em Cachoeira. Naquela época, na conservadora sociedade baiana brasileira, as profissões masculinas eram indicadores da posição social. Membros do exército, assim como da medicina e direito, as mais prestigiadas profissões liberais, eram considerados como classe média alta. Ao contrário da figura masculina, a mulher era vista apenas como uma criatura que Deus coloca no mundo, com a missão de servir ao homem, ter filhos e prepara-los para vida. Então, educadas na clausura e confinamento do lar, as meninas moças, eram preparadas para o matrimônio e atingiam a flor-da-idade entre os 16 e 20 anos. A idade de 23 anos era considerada como limite das jovens se casarem e foi nesse limite etário que Ana Neri casou-se, em 15 de maio de 1838, com o capitão-tenente da marinha Isidoro Antônio Neri, nascido em Lisboa, em 05 de setembro de 1800. E do casamento vieram três filhos, Justiniano de Castro Rebello, Isidoro Antônio Neri e Pedro Antônio Neri.

Na condição de mulher casada, Ana Neri devia seguir os modelos propostos pela Igreja brasileira, que tinha interesse em promover a mulher, acentuando seu papel de preciosa auxiliar, sendo impostas as mesmas obrigações transmitidas pelos manuais de conduta moral dos países católicos. Assim, ela teria que cuidar do lar, do esposo e ter filhos.

Porém, em 05 de julho de 1844, algo inesperado acontece, Isidoro Antônio Neri aos 43 anos, morre a bordo do veleiro Três de Maio, no Maranhão. Viúva aos 29 anos, com três filhos pequenos, o mais novo com cinco anos, Ana Neri passa a ter uma vida autônoma, independente e coroada por responsabilidades. Após a morte do marido, ela mudou-se para Salvador supondo-se que “quando os filhos terminassem a instrução secundária, de modo a garantir-lhes estudos e consequente ascensão social, permanecendo assim no anonimato até a sua inserção no contexto da Guerra do Paraguai, quando inicia o caminho de consagração nacional.

Voluntária na Guerra do Paraguai

É relevante lembrar que, a sociedade nos meados do século XIX possuía uma visão específica sobre as mulheres viúvas. Havia uma ideia de uma posição de autonomia na família, caracterizadas por uma vida independente, de liderança no grupo familiar. A viúva devia viver como as mulheres virgens, ser vigilante com as mulheres casadas e servir de exemplo moral, sendo amiga dos retiros e inimigas dos divertimentos mundanos. Dedicada às orações, devia zelar pela boa reputação, amar a mortificação e trabalhar para a glória de Deus, ou seja, sustentar-se em obrigações impostas pela influência da Igreja. Desta forma, ela vivia com dois de seus filhos em Salvador. Engajados em estabelecimentos de ensino superior, todos os seus filhos seguiram o serviço militar. Justiniano de Castro Rebello e Isidoro Antônio Neri, dedicaram-se a medicina, enquanto que o filho mais novo, Pedro Antônio Neri, dedicou-se à carreira militar, era cadete aluno da Escola Militar do Rio de Janeiro.

Em 1865, o Brasil integrou a Tríplice Aliança (Brasil, Uruguai e Argentina) que lutou na guerra do Paraguai. Os filhos de Ana Neri foram convocados para lutar no campo de batalha. Sensibilizada com a dor da separação, no dia 08 de agosto, escreveu uma carta ao Presidente da Província.

Em sua carta, Ana Neri menciona o desgosto devido a separação com seus familiares. Ela escrever “como mãe, não resistiria à separação dos filhos” (em anexo), uma expressão que reproduzia seus sentimentos e deveres da maternidade. Viúva e afastada dos filhos, ela mobilizou-se para não perdê-los, e sua atitude foi de escrever uma carta ao Presidente da Província oferecendo seus serviços de enfermeira para cuidar dos feridos de Guerra do Paraguai, enquanto o conflito durasse.

A resposta do Presidente da Provincia foi breve, ordenando ao Conselheiro Comandante das Armas para que Ana Neri fosse contratada como primeira enfermeira.

Em seguida, ela partiu de Salvador em direção ao Rio Grande do Sul, onde aprendeu noções de enfermagem com as irmãs de caridade de São Vicente de Paulo. E aos 51 anos, foi incorporada ao Décimo Batalhão de Voluntários. Realizou um curto estágio em Salto e Curriente (Argentina), onde havia, naquela época, cerca de seis mil soldados internos e algumas poucas freiras vicentinas realizando os trabalhos de enfermagem.

 Em 13 de agosto de 1865 ela embarcou para os campos de batalha, onde sua atuação parece ter sido primorosa.

Durante a guerra ela enfrentou o caos na saúde, quando as doenças mais presentes eram a cólera, a varíola, a febre tifoide e a malária. Ela atuou em hospitais na Argentina e no Paraguai, além de hospitais de campo, na frente de operações militares. Em sua convivência diária com os médicos, no trato conjunto das obrigações, adquiriu conhecimentos terapêuticos, mas o bom senso aliado ao seu olhar de mãe que cuida de filhos doentes muitas vezes fez prevalecer sua opinião aos médicos. Ela conseguiu transformar a realidade sanitária local, impondo condições mínimas de higiene para evitar a transmissão das doenças e o tratamento das feridas. Naquelas difíceis condições, ela organizou os hospitais de campanha e a primeira enfermaria foi montada em sua própria casa, em Assunção, e às suas expensas. Metodizou as tarefas em busca da eficácia, com os olhos humanitários e a alma voltados tanto para os cuidados dos combatentes da Tríplice Aliança, quanto para os soldados do invasor Paraguai, indistintamente. Chama atenção para o fato dela atender feridos dos dois exércitos, acolhendo-os nos momentos de necessidade. Esse fato gerou críticas por parte do Comando do Exército Brasileiro, mas isso não a impediu de continuar seu trabalho e de ter sido nomeada de “Mãe dos Brasileiros”.

Reconhecimento e Morte

Com o fim da guerra em 1870, Ana Neri retornou ao Brasil trazendo consigo seis órfãs. Desembarcou no Rio de Janeiro em 06 de maio de 1870 e grandes homenagens lhe foram prestadas. O Governo Imperial concedeu-lhe ainda a Medalha Geral de Campanha e a Medalha de Campanha Humanitária de primeira classe.  Sua ida a Salvador, foi recebida pelas senhoras das mais ilustres famílias baianas, além da filarmônica Minerva e da música do corpo da Polícia.

Após alguns anos, ela mudou-se para o Rio de Janeiro, onde o filho Pedro Antônio Neri, Capitão do Exército, foi enviado para prestar serviços. Ela viveu seus últimos dias no Rio de Janeiro. Adoeceu gravemente no início de 1880, falecendo as 16h30 do dia 20 de maio, aos 65 anos de idade. Foi sepultada no cemitério São Francisco Xavier no Rio de Janeiro, sendo exaltada a beira do túmulo que, na lápide, continua a seguinte inscrição: “Aqui descansam os restos mortais de Da. Ana Neri, denominada a Mãe dos Brasileiros, pelo Exército, na campanha do Paraguai”. Seu corpo foi exumado em 1979 e os despojos foram transportados à Bahia, para cidade de Cachoeira, levada para a sacristia da igreja da matriz.

 

 

 

 

Legado

Merecidamente, Ana Neri recebeu reconhecimentos pelo seu trabalho voluntário. O seu maior legado pode ser considerado a abnegação e a perseverança na prática do cuidar do próximo, a organização sistemática e a humanização no cuidar dos doentes. É considerada a primeira enfermeira do Brasil, sendo a precursora da Cruz Vermelha Brasileira. Em 1926, através do Decreto nº17.268, o governo deu a denominação Ana Neri à Escola de Enfermeiras do Departamento Nacional de Saúde Pública, que passou a pertencer a Universidade do Brasil, como ensino superior a partir de 1945, hoje, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Além disso, é devido a data de sua morte que é comemorada a Semana da Enfermagem no Brasil, de 12 a 20 de maio, sendo que nesse período devem-se prestar homenagens especiais a sua memória nos hospitais e escolas de enfermagem do país. A sua postura de disciplinadora e de dedicação as tarefas de cuidar dos feridos de guerra cooperaram para que ocorressem mudanças no sistema de atendimento aos soldados, e suas mudanças permanecem como legado em nosso país.

Mesmo perdendo o filho mais velho na guerra, Justiniano e a do sobrinho, Arthur Rodrigues Ferreira, Ana Neri, não desistiu de salvar vidas e entrou para a história como uma heroína. Mesmo sendo tão pouco falada, a sua memória viverá para sempre, pois deixou um legado que ultrapassou o tempo e ficou presente na história.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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